Financeiro
Executado não é cobrável: os três eixos que o LIS precisa separar
Um hemograma pode ser executado inteiro, coberto pelo contrato em um único parâmetro e faturado com desconto. Execução, cobertura e faturamento são eixos independentes — tratá-los como um só é o que produz a surpresa no fim do mês.
Equipe Omnix6 min de leitura
A pergunta parece simples: “quantos exames o laboratório fez no mês?” A resposta útil são três números diferentes, e sistema que só guarda um deles esconde o problema mais caro da operação.
Os três eixos
- Execução — o que foi feito. Fato clínico, com resultado, consumo de insumo e tempo de máquina.
- Cobertura — o que o contrato do pagador prevê. Fato contratual, com vigência.
- Faturamento — o que virou cobrança, com preço, desconto e destino.
Eles se cruzam, mas não se implicam. Executado sem cobertura acontece todo dia. Coberto sem execução também (exame cancelado depois de autorizado). E faturado difere de executado sempre que houver desconto, pacote ou glosa.
Onde o modelo de um eixo só falha
Quando o sistema trata “executou logo cobra”, três coisas somem:
- A produção fora de contrato. O hemograma é executado inteiro porque a clínica exige; o contrato cobre um parâmetro. Os outros 29 foram produzidos, consumiram reagente e ocuparam a máquina — e não existem em lugar nenhum do relatório.
- A decisão sobre o não coberto. Quando o exame fora de cobertura entra no pedido, alguém decide: cobra do paciente, negocia aditivo ou absorve. Se a decisão não é registrada, ela é tomada de novo, diferente, na próxima vez.
- A margem real. Custo é da execução; receita é do faturamento. Sem os dois eixos, a margem por exame é uma média que não descreve nenhum caso.
O que fazer com o não coberto
A saída não é recusar o atendimento — nem inventar um laboratório de apoio fictício para justificar a recusa. É registrar o que aconteceu:
- executar e liberar normalmente, porque a decisão clínica não é do faturamento;
- marcar o item como fora de cobertura, visível na bancada e no pedido;
- encaminhar para uma fila de recuperação, com destino registrado: aditivo contratual, cobrança ao paciente com consentimento, ou perda assumida com motivo.
Perda assumida com motivo é informação. Perda silenciosa é hemorragia.
O relatório que sustenta negociação
Com os três eixos separados, existe um relatório que muda conversa com operadora: quanto foi produzido fora de contrato no período, por contrato e por parâmetro.
Ele responde à pergunta que a operadora sempre faz — “por que você quer aditivo?” — com número em vez de impressão. E responde à pergunta interna que ninguém consegue responder hoje: qual contrato dá prejuízo, mesmo pagando em dia.
A provisão que evita a ilusão
O não coberto deve entrar no custo como possível perda — provisão reversível, não baixa definitiva. Se o aditivo sair, a provisão reverte; se não sair, ela vira perda com motivo registrado.
Assim a margem passa a ter três números legíveis: a margem faturada, a margem se o não coberto for recuperado, e a margem se ele for perdido. Uma decisão de preço tomada sobre os três é uma decisão; tomada sobre a média, é palpite.
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