Financeiro
TUSS, CBHPM e SUS: qual preço vale no dia do atendimento
Três tabelas de código, cada uma com finalidade própria, e um mesmo exame com preços diferentes por contrato. O que decide o valor não é a tabela — é a vigência do contrato na data em que o exame foi feito.
Equipe Omnix5 min de leitura
As três tabelas convivem no mesmo catálogo e resolvem coisas diferentes.
- TUSS — terminologia unificada da saúde suplementar, mantida pela ANS. É o código que identifica o procedimento na troca TISS com a operadora. Sem ele, a guia não passa.
- CBHPM — classificação brasileira hierarquizada de procedimentos médicos, da AMB. É referência de valor, base de negociação. Não é obrigatória: o que vale é o contrato.
- SIGTAP/SUS — tabela do sistema público, com procedimento e valor definidos pelo Ministério da Saúde. Aqui, tabela e preço andam juntos.
Ou seja: TUSS diz o quê, CBHPM sugere quanto, SIGTAP define quanto no público. Confundir as funções produz a discussão improdutiva de “mas na CBHPM está R$ 42” quando o contrato assinado diz outra coisa.
O que realmente decide o preço
O preço de um exame para um pagador é o do contrato vigente na data do atendimento. Três consequências de modelagem que evitam meses de retrabalho:
- Preço tem vigência, com início e fim. Reajuste não sobrescreve o valor antigo — cria um novo período. Sem isso, refaturar um atendimento de três meses atrás aplica o preço de hoje, e a diferença vira glosa.
- Preço pertence ao contrato, não ao exame. O mesmo hemograma tem valores diferentes por operadora, por plano e às vezes por unidade.
- A cobrança guarda o preço aplicado, não uma referência ao preço atual. O documento fiscal precisa reproduzir o que foi cobrado, para sempre.
Código de procedimento também tem vigência
TUSS muda: código incluído, código descontinuado, descrição alterada. Cobrar com código descontinuado é glosa certa e evitável — desde que o catálogo guarde a vigência do código, e não só o código.
O mesmo vale para o vínculo exame ↔ código. Um exame pode ter TUSS, CBHPM e SIGTAP simultaneamente, cada um para um destino de cobrança diferente. Guardar um campo só obriga alguém a decidir na hora do faturamento, todo mês.
Pagamento combinado é a regra, não a exceção
Um atendimento com parte particular e parte por convênio é rotina — e exige que o pedido tenha vários pagadores, com o rateio explícito por item. Modelo de um pagador por pedido obriga a recepção a criar dois pedidos para o mesmo paciente no mesmo dia, o que quebra a rastreabilidade da amostra e duplica a coleta no relatório.
Um teste rápido
Pegue um atendimento de seis meses atrás e refature. Se o valor sair diferente do original sem que ninguém tenha renegociado nada, o preço não tem vigência — e todo refaturamento do laboratório está produzindo divergência que a operadora vai chamar de erro.
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